Navegação não-linear

Filed Under (Sem categoria) by Carla Martins on 26-11-2008

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A navegação não-linear não surge com a Internet, nem com a web, já que o pensamento associativo é característico do ser humano, que num mero devaneio é capaz de se perder em meio à extensa rede de significações que percorre mentalmente. Ao ler um livro, assistir a um filme, escutar uma música, travar relações de comunicação, estamos constantemente formando um hipertexto mental, na medida em que pulamos de um assunto a outro estabelecendo relações entre os mesmos.

Em um artigo da Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação li a citação acima, que achei ótima como ponto de partida para uma análise sobre tags e folksonomia, mas também sobre quando é oportuno oferecer/solicitar ao usuário que ele  estabeleça representações de conteúdos.

Antes dessa “Era da Coooperação” na internet, era possível apenas ir de um conteúdo a outro na web por meio das representações oferecidas por seus autores. Hoje, uma das principais características da internet é a construção de vocabulário pelos próprios usuários. As tags são etiquetas que trazem palavras representativas sobre algum conteúdo, que organizam, recuperam e armazenam links dentro de “blocos” de assuntos relacionados.

Um exemplo disso é a nuvem de tags existente no site da Globo. Lá estão dospostas as palavras mais buscadas no site. Ao clicar na tag Eleições 2008, por exemplo, o usuário é levado para uma página com todo o conteúdo do site reunido sobre aquele assunto, poupando tempo e sendo direcionado à informação que procura.

Outro exemplo é o Flickr, que permite que cada foto adicionada em um álbum seja representada por palavras. Se eu estiver navegando em uma página em que a tag ”inverno” está representando uma foto de pessoas brincando na neve, por exemplo, serei levada para uma página com todas as fotos daquele usuário que estão represetnadas pela mesma tag. Nesta mesma página há ainda a opação de consultar todo o conteúdo do site representado pela palavra “inverno”.

Aqui mesmo nesse site todos os posts são classificados por tags. Se um usuário clicar em uma delas, será levado para uma página com todos os posts classificados da mesma maneira. Imagine o tempo que um usuário levaria para encontrar esse mesmo conteúdo se tivesse que navegar página por página e ler post por post.

Assim, a folksonomia veio para dar “poder” aos usuários, que passam a ser emissores e receptores ao mesmo tempo e funciona como um vocabulário descontrolado, a partir do momento que não é construído por especialistas, mas sim por todo e qualquer usuário que esteja navegando na web e queira nomear os conteúdos que publicam. 

Por um lado, isso pode limitar a busca por informações devido ao fato de os nomes não terem sido dados por expecialistas e. por isso, não terem a presença, de repente, de palavras-chaves importantes. Mas, por outro, permite que as próprias pessoas que buscam informações sejam responsáveis por classificá-las, organizando-as de maneira semântica e coletiva.

Mas, a folksonomia não possui só pontos positivos. A internet não é utilizada apenas por pessoas que conhecem todas as tendências e navegam horas por dia. Então, é normal que muitos usuários nem saibam o que significa a palavra tag e, mesmo que saibam seu significado, não utilizam “etiquetas” pensando no seu aspecto social, mas sim em palavras que façam sentido apenas para quem as concebe. Um exemplo disso são conteúdos classificadas com as tags “meu cachorro é o mais lindo” e “meu bebê de quatro patas”.

Além disso,

Golder e Huberman (apud Marlow, 2006, online) também discutem as

dificuldades semânticas do tagging que dificultam a precisão e o andamento da

busca num sistema de tags: a) Polissemia: quando uma única palavra tem múltiplos

significados relacionados; b) Sinonímia: quando diferentes palavras têm o mesmo

significado.

O site que consegue resolver os principais problemas do taggeamento é o Delicious, por meio da sugestão das palavras já utilizadas para classificar aquele mesmo conteúdo adicionado por outros usuários no site. 

E será que todo site deve ter nuvem de tag e a funcionalidade de taggeamento do conteúdo pelos usuários? Não! É preciso discernir quando um site deve ou não comportar esse tipo de funcionalidade. Portais com muito conteúdo, sites que tratam de temas muito diversificados ou com atualizações constantes ganham muito com a utilização de tags. Do contrário, vira algo forçado que não será utilizado por ninguém.

Infelizmente, tenho percebido em muitos clientes a vontade de acrescentar tags de qualquer jeito nos seus sites. Acredito que cabe ao arquiteto de informção direcionar a vontade do cliente ao objetivo do seu site. É completamente errado o raciocínio de que é o cliente que está pagando e, portanto, deve-se elaborar tudo o que ele deseja. Os especialistas somos nós e, assim, cabe-nos a tarefa de “doutrinar”, com argumentos reais e convincentes, essas expectativas muitas vezes mirabolantes. Não é fácil, mas é possível. :) 

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